Governar é saber priorizar

Inflação em alta, elevação da taxa de desemprego, redução nos níveis de consumo, postergação de investimentos pelo setor privado. Este não era o quadro que, há poucos meses, era pintado com cores de realidade. O Brasil se vê numa encruzilhada, onde a descrença na política e nos políticos e a falta de credibilidade do Poder Executivo, se tornam elementos complicadores a mais para a inversão da rota e a retomada dos caminhos que façam novamente girar a máquina produtiva, como em tempos ainda vivos na memória.

Sabe-se serem os momentos de crise importantes fontes de inspiração e oportunidade para saltos qualitativos. Entretanto, quando a crise na economia está atrelada à descrença política ou em relação aos políticos de uma maneira geral e à falta de uma liderança, o fim do túnel, forçosamente, estará um pouco mais longe, mas estará à vista, apesar dos sacrifícios maiores.

Recentemente, o Fundo Monetário Internacional divulgou estudos sobre as perspectivas da economia mundial, no qual mostra que o crescimento do produto potencial das economias avançadas e emergentes vem diminuindo nos últimos anos, o que impacta negativamente as taxas de crescimento. Os principais motivos apontados pelos analistas do FMI são o envelhecimento da população e o lento crescimento do capital.

Com relação às economias emergentes, como a brasileira, o estudo aponta para uma redução ainda maior a médio prazo, como consequência, além do envelhecimento da população, da contração de investimentos e de um aumento menor da produtividade, na medida que vão reduzindo as distâncias tecnológicas em relação às economias avançadas. Essa redução seria de uma média de 6,5%, no período 2008-2014, para 5,2%, entre 2015 e 2010, o que, ainda segundo a análise, ficará mais difícil manter a sustentabilidade fiscal.

Enquanto o fantasma da recessão – técnica ou real – ronda a vida de todos os brasileiros, aumentando os descontentamentos e as incertezas, é preciso buscar alternativas para que as intervenções a serem feitas se tornem menos dolorosas. Quanto mais forem postergadas, seja lá por que motivo, interesse ou desinteresse, mais doídas serão.

Não há como parar o avião para fazer a manutenção. Assim, ao lado de medidas que voltem para os trilhos os gastos públicos e a economia, tem-se urgência outras capazes de alimentar o motor do desenvolvimento.

A desvalorização do real, pode, num primeiro momento, tornar os produtos brasileiros mais competitivos externamente. Ao olhar o outro lado da medalha, vemos que os insumos e produtos importados se tornam mais caros, refletindo nos preços internos e no custo de vida.

Em quase todo o mundo, inclusive na Zona do Euro, verifica-se uma movimentação de desvalorização das moedas em relação ao dólar. Assim, um real depreciado não é esperança para boas vendas. Nossos parceiros, certamente, estarão vivendo o mesmo dilema, tendo mais moeda local quando vendem, mas sendo obrigado a dispor de mais ao comprarem.

O futuro do país está vinculado ao seu avanço tecnológico. As empresas precisam constantemente se atualizarem para aumentar a produtividade e, consequentemente, ganhar competitividade, aqui e lá fora.

O equilíbrio das contas não pode ser sinônimo de fechamento total de torneiras. É preciso saber quais devam ser ou não mantidas abertas. Governar é saber priorizar. Os investimentos em educação, saúde, melhoria da infraestrutura e em pesquisa, neste momento, como sempre deveriam ser num país cheio de carências como o nosso, se apresentam como prioritários.


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