A dura realidade

A realidade político-econômica brasileira, com um grau de dificuldade pouco imaginado pela maioria da população até poucos meses atrás, mesmo já vindo há algum tempo sentindo no bolso os efeitos perversos da inflação e de outras dificuldades correlatas, se mostra nesta primeira quadra do ano mais preocupante do que nunca.

A insatisfação crescente com os descaminhos da economia e as denúncias ou fatos novos quase diários sobre corrupção estão a provocar uma descrença real e dificultando a solução de problemas grandes, mas nunca insolúveis.

A segunda quinzena do terceiro mês do ano começou com as imagens de milhares de pessoas nas ruas de várias cidades do país clamando por mudanças, ou mais do que isso, exigindo-as. Essa sinalização já fora dada pelas manifestações de 2013. Infelizmente, não foi vista.

Essa rápida pincelada sobre o tema político está diretamente relacionada à equação das questões econômicas, que precisam ser resolvidas para que o país volte a crescer e desenvolver sob o ponto de vista econômico e social.

Neste início de ano, o Brasil viu reduzir a atividade econômica, o que inclui a perda de 80.732 postos formais de trabalho no acumulado dos dois primeiros meses, segundo o Caged. Nos últimos dias, estamos vivenciando a redução de empregos em áreas como o comércio e construção civil. Nesta, como admite o próprio ministro do Trabalho, Manoel Dias, já reflete a paralisia da Petrobras, provocada pelas investigações da operação Lava Jato.

Em que pese a desvalorização do real frente ao dólar, que se acelerou mais ainda nos últimos dias, a corrente de comércio brasileira despencou no primeiro bimestre. As exportações caíram 19,29% e as importações 16,63%. Há de se ressaltar a queda dos preços de importantes commodities, mas a triste realidade que o Brasil, passo a passo, está perdendo a sua capacidade de exportar produtos de maior valor agregado.

Seria a desvalorização do real a solução para nos tornar mais competitivos? No curto prazo, talvez!

Mas se não trabalharmos os fundamentos da falta de competitividade sistêmica do Brasil, a desvalorização da moeda terá efeitos apenas passageiros.

Ainda continuamos atribuindo à crise internacional e mais recentemente à falta de chuvas a razão dos nossos principais problemas. Nestes pontos seria melhor reconhecer que não fizemos o dever de casa e nos faltou planejamento.

Muitas economias no mundo estão se recuperando porque fizeram o exercício de casa enquanto, aqui, ficamos defendendo que os nossos problemas eram todos passageiros. O pior é que continuamos com o mesmo discurso.

Apesar o esforço do ministro Levy em propor um plano de ajustes, a falta de credibilidade do governo fez com que os preços públicos fossem ajustados de forma rápida e as consequências estão aí.

Enfrentamos uma inflação alta e estamos adotando o mesmo remédio, que é o aumento da taxa de juros que vem sendo aplicado no Brasil para redução de uma inflação de demanda que não existe atualmente. A inflação de hoje decorre dos ajustes desses preços públicos.

A visão apenas dos ajustes não nos levará ao caminho do desenvolvimento. Hoje a economia está paralisada, os investidores descrentes com o Brasil e a política de aumento na taxa de juros vai comer o esforço fiscal.

Temos que reconhecer que uma andorinha não faz verão. A verdade é que a equipe econômica está sozinha. Qual o papel que os outros ministros estão desempenhando na busca da competitividade, da busca do revigoramento da autoestima de brasileiros e brasileiras, da melhoria da infraestrutura e tantos outros temas?

Qual a nossa política externa?

Vamos continuar a apoiar países que nos puxam para baixo ou vamos buscar as melhores parcerias que, certamente, não estão no âmbito do Mercosul?

Há de se ter serenidade e, principalmente, maturidade para que o clima de incerteza política não contamine ainda mais a economia, abrindo margens para aventuras que se sabe onde começam, mas não se tem a menor ideia de onde possam terminar. Também deve ser afastada a presunção do quanto pior melhor. Diante desse quadro, o primordial é que tenhamos a certeza de que o Brasil precisa aprender reconhecer os seus erros e ter a humildade de procurar acertar, sem ideologias ultrapassadas que não nos levarão ao desenvolvimento econômico social que todos queremos.


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