Ventos Frios

O Brasil tem vivido nos últimos meses a era da incerteza. As mudanças na política macroeconômica, necessárias para a reconquista na credibilidade do governo e das instituições governamentais se dão num momento em que os indicadores não são os melhores.

O bloqueio de importantes artérias por onde escoa a maior parte da produção nacional, por parte de caminhoneiros a pleitearem redução nos preços do óleo diesel e aumento nos fretes, além do fim da obrigatoriedade de tempo mínimo de repouso por parte dos profissionais do volante, fez acender uma luz no sentido de ampliar a insatisfação, a partir do momento em que produtos – alimentos, medicamentos, combustíveis, bens de consumo duráveis ou produtos de higiene – deixem de chegar a seus pontos distribuição.

Some-se a isso o fato de que, no primeiro mês de 2015, dados do Ministério do Trabalho e Emprego apontam para o fechamento de 81,8 mil postos de trabalho, sendo que o comércio varejista despediu 97,9 mil trabalhadores mais do que contratou, movimento, certamente ligado à acomodação das equipes ajustadas após as contratações temporárias do final do ano. Mas esse ajuste sazonal não foi acompanhado por ampliação das contratações em outros setores, exceto a agricultura, o que jogou para baixo o emprego formal no país.

A onda de ajustes desencadeada pela equipe econômica do governo neste início do ano, com aumento nos preços dos combustíveis, das tarifas de energia elétrica e, mais recentemente, que eleva a contribuição previdenciária de empresas, nos últimos anos beneficiadas por desonerações fiscais, são impopulares, mas têm como objetivo canalizar recursos para os cofres públicos e, assim, no futuro que a população espera seja curto, fazer o País voltar aos trilhos do desenvolvimento.

Isso, entretanto, ocorre num momento em que, a credibilidade do governo patina, pelo recrudescimento da inflação, pelo desempenho da economia e pela adoção de medidas até há pouco descartadas nos discursos oficiais, incluindo necessárias e justas correções de rota em pontos como seguro desemprego. Tudo isso com o ingrediente das investigações em torno da Petrobras, empresa símbolo do Brasil jogada das páginas e manchetes de economia para as policiais, que promete um capítulo crucial, com a divulgação, nos próximos dias, da lista de políticos que teriam relação com esse escândalo.

Não poderia ser pior, não apenas para o governo, mas para o Brasil, a conjugação de crise econômica com instabilidade política. A temperatura política está subindo cada dia mais. A descrença com uma reviravolta é crescente e a luz do final do túnel, para alguns, não está tão intensa.

Tudo isso, entretanto, não pode servir de combustível para aventuras. Se, no final do ano passado, se falava em crescimento pífio da economia, já há aqueles que acenam para uma retração do Produto Interno Bruto neste 2015, tendo como fundamento, as medidas restritivas, o menor volume de investimentos do setor público e a própria conjuntura internacional.

Nesta reta final de verão brasileiro, os diversos cenários não apontam para um outono e um inverno amenos, muito menos, para uma primavera exuberante. Quem tem responsabilidade social devem ter em mente e tudo fazer para que os ventos gelados do inverno não sobrevivam durante o verão.


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